segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tratamento Periodontal

Inflamação da gengiva oferece riscos para o coração

Pesquisadores relacionam aterosclerose à falta de higiene bucal


A próxima pessoa que lembrará você de passar o fio-dental talvez seja seu cardiologista, em vez do seu dentista. Cientistas descobriram que a proteína associada à inflamação bucal (chamada CRP) é elevada em pessoas com risco de ter doenças no coração. Mas de onde a inflamação vem?

Uma nova pesquisa feita por cientistas da Itália e do Reino Unido, publicada no site do Jornal da FASEB (do inglês The Federation of American Societies for Experimental Biology), mostra que gengivas infectadas podem ser causa de diversas doenças, entre elas a arteriosclerose. De fato, uma adequada higiene dental pode reduzir o risco de aterosclerose, derrame e doenças no coração, independentemente de outras medidas, como controle do colesterol.

"Há muito tempo se suspeita de que a aterosclerose é um processo inflamatório e que a doença periodontal tem um importante papel na arterioesclerose", afirma Mario Clerici, M.D., sênior pesquisador do estudo. "Nosso estudo sugere que esse é o caso e indica que algo tão simples como cuidar da saúde dental e da gengiva pode reduzir muito o risco de desenvolver sérias doenças".Para chegar a essa conclusão, os cientistas examinaram as artérias carótidas de 35 diferentes pessoas saudáveis (média de 46 anos) com moderada doença periodontal antes e depois de receberem tratamento nas gengivas. Um ano depois do tratamento, os cientistas observaram uma redução da bactéria oral, da inflamação imune e do aumento dos vasos sanguíneos associados à arterioesclerose.

Perguntas:


1-A relação entre gengiva inflamada e doença periodontal com problemas sistêmicos é um tema recorrente na Odontologia?

Hoje em dia sabe-se que a doença periodontal é o resultado de um processo interativo entre o biofilme (placa dental) e os tecidos periodontais através de respostas celulares e vasculares. A instalação e a progressão da doença envolvem um conjunto de eventos imunológicos e inflamatórios, com participação dos fatores modificadores locais, sistêmicos, ambientais e genéticos.
O efeito sistêmico da resposta inflamatória frente a esses microorganismos tem levado ao estabelecimento de uma relação entre a doença periodontal como fator de risco para descontrole da diabetes, para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, infecções pulmonares, parto prematuro, entre outras.



2- É verdade que pesquisas recentes indicam que processos inflamatórios produzem uma proteína que entra ou favorece a formação dos ateromas, que levam à aterosclerose?

Sim. A proteína C-reativa ou (PCR) é um marcador de fase aguda que se eleva especialmente em processos inflamatórios e infecciosos. È um tipo especial de proteína que é produzida pelo fígado. Embora não chegue a ser um exame especifico, a Proteína C-reativa (PCR) indica, de forma geral a existência de um processo inflamatório e infeccioso agudo. Nos métodos de análise rotineiros, o limite de detecção da Proteína C-reativa (PCR) é de 0,4 a 0,5 mg/dL, enquanto que se empregarmos os métodos ultra-sensíveis é possível detectar níveis de Proteína C-reativa a partir de 0,09mg/dL.
A relação entre altos níveis de LDL, o "mau" colesterol, e da Proteína C-reativa no sangue fornecem explicações mais convincentes sobre as principais causas para a instalação de placas nas artérias que irrigam o coração.

As partículas de LDL em excesso que se acumulam junto às paredes internas de uma artéria sofrem alterações químicas que induzem as células do revestimento interno do vaso a produzir certos mediadores, que atraem glóbulos brancos com a finalidade de digerir essas partículas alteradas. Inicia-se, no local, uma cadeia de reações imunológicas que resultara na deposição de uma camada formada por gordura e glóbulos brancos.

Como a molécula dessa proteína permanece estável por décadas no sangue estocado, mesmo em pequenas quantidades no sangue de pessoas normais, mais cuja concentração pode aumentar cem ou mil vezes na vigência de processos inflamatórios. Nos últimos anos surgiu uma avalanche de estudos que estabeleceram relações bem definidas entre os níveis de Proteína C-reativa e o risco de acidentes cardiovasculares.

As concentrações de Proteína C-reativa no sangue são coerentes com os demais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Seus níveis se elevam com o fumo, com o aumento de peso, com o diabetes, com a hipertensão arterial e com o passar dos anos.



3- E essa inflamação poderá ser das gengivas?

Se o paciente apresenta uma inflamação gengival (doença periodontal) e esta é considerada uma doença crônico-inflamatória, é possível, pois já existem estudos mostrando que após o tratamento periodontal, o nível de proteína C reativa diminui na corrente sanguinea.



4- Pacientes portadores de doenças cardíacas, quando sofrem intervenções odontológicas, podem sofrer os efeitos das bactérias que entram na corrente sanguínea e fixam-se em áreas de fragilidade, podendo gerar problemas sérios?

Dependendo do tipo de doença cardíaca sim, como por exemplo, prolapso da válvula mitral. Para esses pacientes é recomendado pela American Heart Association (AHA), profilaxia antibiótica com 2 gramas de amoxicilina 1 hora antes do procedimento, para previnir endocardite bacteriana.

5-O que o paciente deve fazer para não possuir doenças periodontais?

Como em qualquer situação cada pessoa (paciente) tem necessidades diferentes. É importante que o paciente procure um especialista, no caso um periodontista, para ser examinado e assim poder receber um plano de tratamento inicial e principalmente um acompanhamento, pois muito similar ao diabetes, a periodontite não tem cura, mas tem tratamento e quanto antes diagnosticada melhor é a saúde peiodontal e sistêmica do paciente.

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